MÍDIA

 

Ricardo Carneiro | Carta Capital https://www.cartacapital.com.br/opiniao/trump-o-maga-e-a-supremacia-americana/

 

O estilo Trump, autoritário e histriônico, tem sido responsável por obscurecer os aspectos mais profundos do seu projeto político-econômico, sintetizado na palavra de ordem “Make America Great Again (MAGA)”. Seus objetivos são ambiciosos: retomar a hegemonia produtivo-tecnológico da economia americana e promover a recuperação e a ampliação de empregos de boa qualidade. Como esses problemas são atribuídos principalmente ao tipo de inserção dos EUA na ordem internacional, a reestruturação dessa última constitui um objetivo paralelo.

De inegável apelo popular e do agrado de algumas elites, o projeto padece desde logo de um problema maior: seu diagnóstico. No afã de encontrar culpados pela perda de liderança tecnológica da indústria americana, ou pela profunda deterioração social das últimas décadas, o trumpismo recorre a um velho expediente dos movimentos fascistas: a responsabilização de inimigos externos e imaginários. Assim, a ordem internacional, por meio do surgimento de aliados parasitas e rivais desleais, ou os imigrantes que invadiram os EUA, são eleitos como os responsáveis pelo declínio americano.

É curioso como na análise das origens e das determinações dos problemas que afligem a sociedade e a economia americanas, o processo de financeirização e globalização que teve como epicentro e motivação os interesses do Estado, das grandes corporações e do capital financeiro americanos é ignorado. Por sua vez, a complexidade das implicações desses processos e de suas interrelações são ultrassimplificados. É o que se deduz, por exemplo, das ideias de um dos seus principais teóricos, Stephen Miran, atual presidente do Conselho de Consultores Econômicos da Presidência dos EUA.

 

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