MÍDIA

 

Raphael Coraccini | Inteligência Financeira

 

Com a decisão do Copom da última quarta-feira (20), subindo a Selic para 14,25%, o Brasil se mantêm entre os países com as maiores taxas de juros reais (a taxa descontada a inflação) do mundo: 8,79%. Assim, o País só perde para Turquia (11,90%), Argentina (9,35%) e Rússia (8,91%).

Assim, a economia brasileira convive com taxas de juros reais que são até quatro pontos percentuais maiores que as de outras economias emergentes da vizinhança, como México (4,82%) e Colômbia (4,72%).

Para Marco Antonio Rocha, professor do Instituto de Economia da Unicamp e membro do Centro de Conjuntura e Política Econômica, houve um erro na definição de uma meta de inflação que ele chama de “muito irrealista”.

A meta a 3% desconsidera o cenário global inflacionário, o que tem custado caro ao Brasil, segundo o professor. “Isso vem se demonstrando altamente custoso à economia brasileira, exigindo juros reais extremamente elevados”.

Para ele, a escolha por um patamar tão baixo de inflação “não tem respaldo na literatura” quando o assunto é comportamento de preços no Brasil. Além disso, diz que “não há nada que afirme que seria mais benéfico para o País praticar uma meta de inflação de 3% ao invés de 4%, por exemplo”.

Ele afirma ainda que existe um cenário global marcado por uma pressão inflacionária que deve se estender.

Nesse sentido, os preços seguirão pressionados por conta principalmente de problemas na oferta e não na demanda. Ele vê a crise climática afetando o preço dos alimentos e as barreiras tarifárias dificultando a distribuição de itens de todos os tipos, principalmente os industrializados.

Nesse ambiente, “a prática de uma política monetária restritiva é um remédio que basicamente se direciona para combater a inflação de demanda”, diz Rocha. Portanto, aumentar os juros seria inócuo.

Além disso, ele contesta a iniciativa de apostar tudo em uma política monetária restritiva. E alerta sobre os feitos colaterais dessa medida.

“Em boa parte, o que os analistas estão olhando e cobrando é que a política fiscal resolva o problema da dívida pública, que é majoritariamente causada pela própria política fiscal”.

Ele se refere ao fato de que o nível de juros foi o principal responsável pelo crescimento da Dívida Pública Federal (DPF) em 2024. A DPF passou de R$ 6,52 trilhões em 2023 para R$ 7,316 trilhões no período, alta de 12,2%.

Assim, “corre-se o risco de a gente jogar a economia em um estágio de estagnação sem resolver as questões inflacionárias”, avalia o economista da Unicamp.

 

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