MÍDIA

 

Camilla Freitas | UOL

 

O Banco Central deve anunciar hoje um novo aumento na taxa básica de juros (Selic), num cenário econômico no qual o governo federal adota medidas para ampliar o crédito e aquecer a economia. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem reforçado políticas de estímulo financeiro nos últimos dias, em direção oposta à estratégia do BC, que justifica a alta dos juros como forma de conter a inflação.

O UOL Economia ouviu economistas para entender os impactos desse embate entre política monetária e fiscal e como ele pode afetar o dia a dia da população.

A alta de juros não impacta todo tipo de aumento de preço, como dos alimentos, um dos principais vilões da inflação. Nos últimos cinco meses, o preço dos alimentos e bebidas subiu 5,4%, superando a inflação total do ano passado, que foi de 4,83%. De acordo com Marco Antonio Rocha, professor de economia da Unicamp, a razão da alta não é excesso de demanda, mas fatores de custo, como problemas climáticos, que afetam as colheitas e a guerra comercial comanda pelos Estados Unidos. Por isso, o aumento da Selic pode ter pouco efeito sobre esse componente da inflação.

A Selic tem um impacto maior sobre a inflação de serviços, que também está em alta. Em janeiro, a inflação de serviços aumentou 0,78%, e em fevereiro subiu para 0,82%. No acumulado dos últimos 12 meses, essa inflação alcançou 5,57%. O aumento no poder de compra, provocado pelas políticas de crédito, pode fazer com que a inflação de serviços continue a crescer.

Mas é o aumento no custo da alimentação o principal desafio do governo na tentativa de conter o impacto do encarecimento da vida para a população. "Não teria como o governo ficar inoperante porque e isso tem cobrado preço na popularidade [de Lula], que mira as eleições de 2026, É complicado separar economia de política, são coisas interligadas", diz Rocha.

 

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